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Quem foi Tertuliano?

Quintus Septimius Florens Tertullianus (c. 150 - c. 220) era cartaginês; Cartago foi uma antiga cidade, originariamente uma colônia fenícia no norte da África, situada a leste do lago de Túnis, perto do centro de Túnis, na Tunísia; foi uma potência na Antiguidade, disputando com Roma o controle do mar Mediterrâneo.
O pai de Tertuliano, um militar pagão, preocupou-se em dar-lhe boa formação intelectual, inserindo-o na carreira jurídica. Tomando essa direção, Tertuliano mostrou-se sedento de saber, tanto quanto era sedento de prazeres e diversões. Foi em Roma que o jovem africano concluiu seus estudos de direito. Foi também ali que, por volta de 195, sob condições que permanecem obscuras, abraçou a fé cristã. Sabe-se que era um jovem entregue à imoralidade e ao desregramento e que a paciência e heroísmo dos cristãos, bem como a moral do evangelho, haviam causado uma forte impressão sobre ele que, curioso, passou a ler freqüentemente a Escritura. Os detalhes, porém, de sua conversão, não chegaram até nós. Retornando para Cartago, o douto advogado uniu-se à igreja daquela cidade, onde atuou como zeloso catequista. Nessa função permaneceu sem jamais ser investido no múnus episcopal. Ao tempo em que Tertuliano comprometeu-se ativamente com o Cristianismo, a igreja ainda era relativamente jovem, mas grande numericamente e bem estruturada. Sua adesão contribuiu para o crescimento do prestígio e da cultura cristãos, num tempo em que a nova fé era vista com antipatia e desconfiança, tanto pelas autoridades romanas como pelo povo em geral. Sendo um homem de forte personalidade, impetuoso, de inteligência penetrante e de caráter exaltado e intransigente, Tertuliano saiu em defesa dos cristãos e da fé com uma habilidade e força notórias. Seus escritos dão mostras de seu gênio, destacando-se dentre eles a Apologia, a prescrição contra os hereges, Contra Marcião, Contra Praxéias (onde, pela primeira vez, é usada a palavra "Trindade") e O testemunho da alma. Tertuliano tinha uma natureza inclinada para a disciplina e o rigor ascético. Sendo casado, tratava sua esposa e as demais mulheres com severidade e rigor, o que evidencia sua preocupação com a continência. Foi esse impulso na direção de um rigorismo exacerbado que o levou, em 207, a romper com a igreja e abraçar a heresia de Montano. Terminou em silêncio a vida do impetuoso defensor dos cristãos. Parece que teve uma velhice solitária. Como ocorrera com os católicos, também não se entendeu com os montanistas e, por isso, afastou-se deles, morrendo, finalmente, por volta do ano 220.